terça-feira, 29 de maio de 2012

A marcha das vadias - por que eu protesto.


A história da marcha das vadias tá rendendo. Rendendo piadas, machismo, mas também tá rendendo reflexão. E pessoas perguntam o que faz as mulheres irem às ruas se intitulando vadias para protestar.
Eu me intitulo vadia e protesto:
  • Porque ainda tem milhões de meninas sendo abusadas na infância em razão da mente podre de adultos que não entendem o que é carinho;
  • Porque ainda tem mulheres que não podem se comportar como bem entendem, com medo de serem rotuladas e violentadas;
  • Porque quando alguém me xinga no trânsito, vem acompanhado de um “só pode ser mulher”;
  • Porque não podemos amamentar nossos filhos em público até quando bem quisermos, pois isso fere os brios dos mal resolvidos;
  • Porque eu não posso ser gorda, magra, alta, baixa, bonita, feia, maquiada, cara lavada, cabelo curto, comprido, liso, cacheado, black, tatuada, com piercing, que sempre vai vir alguém dizer que isso não é coisa de mulher;
  • Porque quando alguém xinga uma mulher, sempre envolve o aspecto sexual;
  • Porque as mulheres que exercem sua liberdade sexual ainda são discriminadas;
  • Porque ainda tem homem que se acha no direito de gritar com uma mulher só porque ela é mulher;
  • Porque ainda há uma infinidade de mulheres que apanha de seus companheiros e acha isso normal.

Foto: Tomas Edson Silveira
Mas, além de tudo, esse ano, eu protestei:
  • Porque há mulheres que no ato de parir sofrem todo tipo de violência física e verbal e são convencidas de que isso é normal;
  • Porque mulheres são abandonadas em hospitais e maternidades sozinhas durante o trabalho de parto, parto e pós parto, em evidente desrespeito à lei do acompanhante;
  • Porque eu sou discriminada por ter lutado por um parto normal;
  • Porque as pessoas torcem o nariz quando eu falo em parir com prazer;
  • Porque as mulheres ainda são impedidas de protagonizar seus partos;
  • Porque ainda são realizadas diversas intervenções desnecessárias e prejudiciais durante o trabalho de parto sem sequer consultar a mulher;
  • Porque ainda fazem episiotomias desnecessárias que deixam sequelas para sempre;
  • Porque os recém nascidos ainda são separados das mães precocemente e têm seus cordões umbilicais cortados quase que instantaneamente após o parto;
  • Porque ainda dão banhos dignos de filmes de terror nas maternidades;
  • Porque dão mamadeira no berçário, ao invés de incentivar a amamentação;

E, ainda, porque eu tenho a esperança de que um dia nossos protestos surtirão efeito, e mesmo que uma única mulher veja meu protesto e repense,  procure informação, se rebele e vire protagonista da própria vida, então não terá sido em vão.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A importância de uma doula pós-parto


Os grupos de apoio têm um grande foco na preparação para a gravidez e o parto. No entanto, passado o parto, muitas vezes as mães entram em desespero, porque não se prepararam suficientemente para estar com um bebê recém-nascido.
Antigamente, as recém-mães tinham o suporte das mulheres de sua família e da família de seu marido. No entanto, atualmente, tanto pela inserção das mulheres no mercado de trabalho quanto pelo fato de que as famílias não moram mais tão próximas, não é mais possível essa ajuda.
Para ajudar a mãe nesse momento tão delicado e algumas vezes assustador, existe a figura da doula pós-parto, pouco conhecida mas de extrema importância para que o processo de maternagem e de primeiro contato da família com o bebê torne-se prazeroso, dando à nova mãe e à família confiança e conhecimentos para lidar com o novo ser que chega.
A doula pós-parto é uma profissional que estabelece um vínculo com a família inteira, ajudando os pais e familiares a cuidarem da nova mãe e do bebê, promovendo um desenvolvimento integral, saudável e feliz para todos.
Ela auxilia e ensina a mãe e outros cuidadores com os primeiros cuidados com o bebê, auxiliando na higiene, vestimenta e conforto do bebê. Além disso, pode, se for necessário, auxiliar preparando uma refeição rápida, ajudar com as roupas sujas do bebê e com uma ida rápida ao mercado.
Além disso, assegura que a mãe esteja bem alimentada, hidratada e descansndo o suficiente para que possa dispensar os cuidados necessários ao bebê.
Muitas vezes, confunde-se doula pós-parto e babá. No entanto, elas não exercem a mesma função. A doula pós-parto, ao contrário da babá, não tem como função cuidar do bebê no lugar da mãe. Ela, sim, ensina a mãe a cuidar do bebê, mas também foca no restante da família, prestando esse auxílio a pais, irmãos e cuidadores.
Ela pode, na medida do possível, verificar se a mãe está desenvolvendo um quadro de blues ou de depressão pós-parto, sugerindo acompanhamento médico. Uma doula pós-parto, por não ser médico, não está autorizada a prescrever medicação ou diagnosticar doenças. Sua tarefa se limita a verificar as condições da mãe e bebê e, caso verifique alguma alteração importante, oriente a família e a cliente a procurar auxílio.
De qualquer forma, o importante trabalho da doula pós-parto é importantíssimo, pois oferece suporte à família para que esta adquira autoconfiança para cuidar do novo membro, evitando stress desnecessário e o desespero que muitas vezes acomete a família quando se vê sozinha com um bebê recém-nascido para cuidar.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Attachment parenting ou criação com apego – nossas escolhas.


Desde que engravidei, tanto eu quanto o Tomas passamos por mudanças significativas em nossos comportamentos.
Eu, especialmente, vi ruírem conceitos que até então eu tinha. Achava que bebê era manhoso e tinha que se adaptar ao mundo, que afinal ele devia mesmo era ser independente. Tinha medo de uma criança manhosa e birrenta.
E daí, num 19 de outubro, ele chegou, e tudo mudou. Já no hospital, ele dormiu comigo. Deitei ele na cama comigo e fiquei. Saiu de lá no sling. E eu estava decidida, desde então, a amamentar exclusivamente até os 6 meses e a não desgrudar dele.
Nos primeiros dias em casa, ficamos com medo de machucá-lo e colocamos o bebê para dormir no berço. Ele acordava de hora em hora para mamar e eu amanhecia esgotada. Um dia, viajamos para a praia e lá não tinha berço, o Rafa dormiu na nossa cama. Acordou 2 vezes pra mamar. Desde então dorme conosco.
Vejo que criá-lo por perto, com carinho, atendendo às necessidades dele, torna-o um ser feliz, um indivíduo indepentente, esperto, ativo. Ele não chora por manha, chora quando tem alguma necessidade.
E mama. Tem 7 meses e se alimenta basicamente de leite materno. Quando voltei a trabalhar, ele veio pro escritório comigo, porque tinha que mamar. Agora tá começando a se alimentar, alguns dias fica um tempo com o pai, mas eu ainda amamento, e vamos assim enquanto ele quiser mamar.
Não anda em carrinho, anda de sling grudadinho em nós, e fica feliz com isso. Vemos que ele cresce, se desenvolve bem. É notadamente seguro, gosta de pessoas, não estranha ninguém.
E adora beijo, carinho, abraço.
Vejo crianças por aí meio apáticas, que não gostam de gente, têm medo de tudo e de todos, são inseguras.
Vejo adultos por aí  meio apáticos, que não gostam de gente, têm medo de tudo e de todos, são inseguros. Geralmente são eles que criam as crianças acima.
Eu e o Tomas, aqui do nosso cantinho, criamos o nosso filho com amor e apego. Ele tem amamentação em livre demanda, cama compartilhada, sling e carinho. E não demanda mais do que precisa. E cresce de uma forma linda e tranquila.

Isso, pra nós, é o que importa.